CONHECENDO A BÍBLIA
1. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
2. CARACTERÍSTICAS DOS LIVROS
3. A REVELAÇÃO
4. A INSPIRAÇÃO
5. A ILUMINAÇÃO
6. ATRIBUTOS
7. O CÂNON BÍBLICO
8. VERSÕES DA BÍBLIA
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
A Bíblia tem os seus 66 (sessenta e seis) livros assim organizados:
ANTIGO TESTAMENTO: 39 livros
5 livros da Lei (Pentateuco, Torá:
Gênesis, Êxodo, Levítico – Números – Deuteronômio.
12 livros históricos:
Josué, Juízes, Rute, 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis, 2 Reis, 1 Crônicas, 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Ester.
5 livros poéticos:
Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares.
5 profetas maiores:
Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel.
12 profetas menores:
Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.
As designações “profetas maiores”e “profetas menores” são dadas em razão do tamanho dos livros, e não da importância dos profetas ou dos livros.
NOVO TESTAMENTO: 27 livros
4 Evangelhos:
Mateus, Marcos, Lucas, João.
1 livro histórico:
Atos dos Apóstolos.
21 Cartas (Epístolas) sendo:
-13 de Paulo (Romanos, 1 Coríntios, 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 Tessalonicenses, 2 Tessalonicenses, 1 Timóteo, 2 Timóteo, Tito, Filemon).
-3 de João (1 João, 2 João, 3 João).
-2 de Pedro (1 Pedro, 2 Pedro).
-1 (autor desconhecido) aos Hebreus.
-1 de Tiago.
-1 de Judas.
1 livro profético: Apocalipse
CARACTERÍSTICAS DOS LIVROS DA BÍBLIA
A Bíblia é formada por livros com características históricas, poéticas, cartas (ou epístolas), proféticas e pelos evangelhos. Vejamos, a seguir, as características de alguns dos livros que compõem a Bíblia:
VELHO TESTAMENTO
GÊNESIS – Trata da origem do universo, do princípio de tudo. Este é o significado da palavra ‘genesis’. É um relato da criação dos seres viventes, do homem, de sua queda, do dilúvio, etc.
ÊXODO – Como o próprio nome indica, trata da saída do povo de Deus do Egito e sua peregrinação durante 40 anos pelo deserto, rumo à terra prometida. Nele encontramos passagens épicas, como a abertura do Mar Vermelho, as pragas do Egito, a entrega dos Dez Mandamentos a Moisés, etc.
LEVÍTICO – É o livro da lei, no qual Deus estabelece normas para seu povo, pertinentes à vida familiar, social e religiosa, especialmente no que diz respeito à relação entre os homens e Deus.
NÚMEROS – Além de registrar fatos históricos relativos à caminhada do povo judeu em direção à terra prometida, traz relatos sobre o censo da tribo de Israel e outras listas e contagens. Trata, também, da organização efetiva das tribos.
DEUTERONÔMIO – é o livro da repetição da lei (deutero = segundo, nomos = lei). Muitos dos judeus que haviam deixado o Egito já haviam morrido durante a caminhada para a terra de Canaã. Era necessário que a nova geração tomasse conhecimento da lei, da aliança feita entre Deus e os homens.
SALMOS – o livro de Salmos é definido como “o hinário do culto israelita, o livro bíblico de devoção pessoal”. Nele encontramos não só expressões de todas as emoções da vida, mas também alguns dos ensinos mais profundos de toda a Bíblia. Os salmos foram elaborados em três períodos distintos: pré-exílio, exílio e pós-exílio.
Os salmos são a compilação de cinco livros: Livro I (do salmo 1 ao 41), livro II (do salmo 42 ao 72), livro III (do salmo 73 ao 89), livro IV (do salmo 90 ao 106) e livro V (do salmo 107 ao 150).
Os salmos foram escritos por vários autores: Davi, Asafe, filhos de Coré, Moisés e Salomão.
CARACTERÍSTICAS DOS SALMOS –
- Cânticos de vitória (Sl 68): Louvam a Deus por suas vitórias contra as nações.
- Hinos processionais (Sl 24): Cantado enquanto os adoradores moviam-se para a área do templo.
- Cânticos de Sião (Sl 48): Louvam a Deus referindo-se à Sua presença em Sião.
- Cânticos antifônicos (Sl 136): Entoados pelos sacerdotes ou pelo coro, com respostas da congregação.
- Hinos de aleluia (Sl 146): Começam ou terminam com “Louvai ao Senhor”.
- Queixas da comunidade (Sl 74).
- Queixas individuais (Sl 13).
- Cânticos de ações de graças (Sl 116).
- Salmos reais (Sl 45; 72).
- Salmos da Torá (Sl 1; 127): Referem-se a instruções morais e religiosas).
- Salmos oraculares (Sl 82): Referem-se a decretos de Deus.
- Salmos de bênçãos (Sl 128).
- Cânticos de censura (Sl 52): Relativos ao comportamento dos ímpios.
- Cânticos de confiança (Sl 11): Falam da segurança no auxílio de Deus.
PROVÉRBIOS
Toda cultura possui seus provérbios e sua sabedoria tradicional. Aliás, o estudo da sabedoria dos provérbios era uma atividade prezada pelos antigos escribas e mestres. Ainda hoje há escritos que preservam essa sabedoria antiga do Egito, da Mesopotâmia e da Grécia. Este livro lida com preocupações práticas do indivíduo que conhece a Deus. O livro ensina o fiel a viver. Nele encontramos:
- Provérbios de Salomão: do n. 1 ao 24.
- Provérbios de Salomão, transcritos pelos homens de Ezequiel: do n. 25 ao 29.
- Provérbios de Agur: n. 30.
- Palavras do rei Lemuel: n. 31.
NOVO TESTAMENTO
Evangelho de Mateus – Escrito por Mateus (Levi), coletor de impostos, por volta do ano 70 d.C. Mateus faz a ligação da história do Antigo Testamento com a do Novo Testamento, ajudando-nos a entender como a vida e os ensinos de Jesus se baseiam no que havia acontecido.
Mateus apresenta provas irrefutáveis de que o Messias judeu há muito esperado chegara para inaugurar o reino de Deus sobre a Terra, e lança mão, com freqüência, do Antigo Testamento, para mostrar que Jesus é o Messias (vide Mt 1:22-23; 8:16-17, etc). Ele utiliza o título “Filho de Davi” em vez de “Filho de Deus” (presente no evangelho de João).
Evangelho de Marcos – Foi o primeiro evangelho a ser escrito, por volta do ano 50 d.C. Marcos apresenta um relato conciso, acelerado, para apresentar Jesus Cristo,o Filho de Deus. É o menor dos evangelhos, contendo apenas 16 capítulos.
Evangelho de Lucas – Lucas não era judeu; era grego e médico, e não tinha andado com Jesus. Realizou uma acurada investigação de tudo o que ocorrera durante a vida de Jesus, para fazer uma exposição ordenada e plena da verdade dos fatos (Lc 1:1-4). Foi Lucas quem relatou o maior número de parábolas de Jesus (27), enquanto Mateus registrou 23 e Marcos, 9. Não há registro de João sobre as parábolas.
Evangelho de João – Traça o perfil de Deus, revelado na pessoa de Jesus (ver João 1: 1-14). O evangelho de João, além do propósito de mostrar que Jesus é Deus, foi escrito para que os judeus cressem que Jesus é o Cristo (João 20:31). João e Marcos não fizeram registro da genealogia de Jesus.
Nota: os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas são conhecidos como evangelhos sinóticos, por apresentarem semelhança em sua formação e apresentação, diferentemente do evangelho de João, muito embora guardem harmonia entre si no que se refere à mensagem de Cristo.
Livro de Atos – Trata da história da igreja primitiva, abordando a vida cristã dos primeiros tempos, o derramamento do Espírito Santo, a perseguição aos cristãos, a conversão dos judeus e de gentios, as viagens missionárias, etc. Seu autor é Lucas.
Cartas (epístolas) – Documentos enviados a igrejas (Corinto, Roma, Galácia, Eféso, etc); instruções pessoais (1Timóteo, 2Timóteo, Tito, Filemon).
Livro profético – Apocalipse. Escrito pelo apóstolo João, por volta do ano 90 d.C., durante seu exílio na ilha de Patmos. Também conhecido como livro escatológico, ou seja, livro que trata dos acontecimentos do fim dos tempos.
I - A REVELAÇÃO
O homem, com sua capacidade de entendimento finita e limitada, é incapaz, por si só, de compreender a dimensão do Deus Criador. Por isso, Ele se revelou a nós, de várias formas. Segundo Berkhof, esta revelação “é um ato consciente, voluntário e intencional por meio do qual o mesmo Deus revela e comunica ao homem a verdade referente a si mesmo em relação com suas criaturas”.
II – FORMAS DE REVELAÇÃO
A REVELAÇÃO GERAL
Em primeiro lugar, Deus se revela por meio de suas obras da criação e da sua providência na preservação e no governo do universo. “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos” (Sl 19.1). No mesmo sentido, vide Rm 1.20.
Essa revelação é chamada de revelação geral, por ser dirigida a todos os homens. Embora seja suficiente para deixar os homens indesculpáveis perante Deus, revelando sua grandeza, sabedoria e poder, nada diz do interesse dele na salvação do homem pecador.
Paulo afirma que a generosidade do Criador é evidente nas suas bondosas providências (At 14.17, cf. Rm 2.4) e que pelos menos algumas das exigências de sua lei estão patentes em cada consciência humana (Rm 2.14-15), acompanhadas da desconfortável certeza de julgamento final (Rm 1.32).
A REVELAÇÃO ESPECIAL
Mas o plano eterno de Deus inclui também a revelação especial, que tem o objetivo de levar o pecador de volta ao Criador. O autor da epístola aos Hebreus escreveu sobre esta revelação especial (Hb 1.1.2). Assim, além da criação, de modo direto e sobrenatural, por meio do seu Espírito, através de revelação direta, teofanias, anjos, sonhos, visões, pela inspiração de pessoas escolhidas e pelo seu próprio Filho, Deus comunicou progressivamente à igreja, no curso dos séculos, as verdades necessárias à salvação, as quais, de outro modo, seriam inacessíveis ao homem.
A revelação ao longo da História se dá em especial à nação israelita. Deus agia na vida individual e nacional (Sl 78); falava por meio de profetas (1 Sm 3; Is 6; Os 1), revelando-lhes seu caráter (Is 6.3; Am 5.6-27), a escolha de Israel como seu povo (Dt 7.7-26; Jr 7.23), suas exigências a este povo (Am 5.21-24; Is 1.27), o julgamento futuro, o estabelecimento do seu reino de justiça, seu propósito de salvação, seu plano para Israel e a promessa do Messias (Is 2.1-4, 9.1-7, 11.1-9, 50.4-9, 52.13-53; Jr 31.31-40); 33.116; Ez 34.37).
Essa revelação já é mais explícita e informativa do caráter de Deus e do seu plano para a salvação, contudo, é também incompleta, só podendo ser plenamente compreendida à luz da vida e obra de Jesus Cristo. Cristo é a revelação final de Deus.
Tendo em vista a insuficiência da revelação natural e absoluta necessidade da revelação especial, aprouve a Deus ordenar que esta revelação fosse toda escrita, a fim de que pudesse ser preservada e permanecesse disponível, para a consecução dos seus propósitos eternos. Assim a revelação de Deus foi escrita na Bíblia, por cerca de 36 autores, durante um período de 1.600 anos.
III – A INSPIRAÇÃO
Deus fez com que todas as verdades necessárias à salvação, santificação, culto, serviço e vida do homem, fossem escritas e preservadas, para que pudessem ser conhecidas, cridas e obedecidas. Com este propósito, o próprio Deus, por meio do seu Espírito, inspirou os autores bíblicos, a fim de que pudessem escrever a revelação especial, sem erro algum (2Tm 3.16, 2Pe 1.19-21).
Desta forma a Bíblia apresenta quatro características:
1) Autoridade;
2) Clareza;
3) Necessidade;
4) Suficiência.
É importante destacar, contudo, a natureza da inspiração divina, pois, embora tais autores tenham sido impulsionados por Deus a escrever, Ele preservou o vocabulário e o estilo de cada um deles. De modo algum eles tiveram a sua individualidade violentada, ou serviram como meros escribas ou psicógrafos. Pedro não deixou de ser um rude pescador, Paulo não perdeu toda sua cultura e erudição. Assim, embora Deus certamente tenha-os guiado na escolha das palavras, na construção das frases, para que os fatos e idéias fossem corretamente registrados, cada livro traz a marca pessoal de seu autor e as marcas do tempo em que ele vivia.
O impressionante, então, é perceber a extraordinária harmonia existente na Bíblia, apesar dessa diversidade de característica dos autores e do longo período durante o qual ela foi escrita. Isto é testemunho de que, verdadeiramente, ela foi inspirada por Deus.
IV – A ILUMINAÇÃO
Tudo o que necessitamos conhecer para a nossa salvação e para uma vida digna e em comunhão com Deus está registrado na Bíblia. Contudo, “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2.14).
Em outras palavras, sem a assistência do Espírito Santo atuando em nossa mente, não somos capazes de compreender os ensinamentos e verdades que Deus quer nos transmitir por meio das Escrituras (ver At 16.14-15, 8.26-39).
Conforme nota extraída da Bíblia de Genebra, “o pecado obscurece nossa mente e vontade, de modo que perdemos e resistimos à força das Escrituras. O Espírito, contudo, abre e desanuvia a nossa mente e põe o nosso coração em sintonia, de modo a podermos entender aquilo que Deus tem revelado (2Co 3.14-16, 4.6; Ef 1.17-18, 3.18-19).
A iluminação, sendo fundamental para levar o homem a aceitar a salvação proposta por Deus (Hb 6.4, 10.32), continua durante toda a vida do crente, conduzindo-o a um conhecimento mais profundo de Deus (Jo 16.13), ao arrependimento dos pecados cometidos e à segurança acerca da graça de Deus e da certeza da nossa eleição.
V – ATRIBUTOS (Ou características da Bíblia)
Os principais ensinos da Bíblia a seu próprio respeito podem ser classificados em quatro características (atributos):
1 – a autoridade das Escrituras;
2 – a clareza das Escrituras;
3 – a necessidade das Escrituras;
4 – a suficiência das Escrituras.
A AUTORIDADE DAS ESCRITURAS
A autoridade das Escrituras significa que todas as palavras nas Escrituras são palavras de Deus, de modo que não crer em alguma palavra da Bíblia ou desobedecer a ela é não crer em Deus ou desobedecer a Ele.
Isso é o que a Bíblia afirma a seu próprio respeito. Há muitas afirmações na Bíblia declarando que todas as palavras das Escrituras são palavras de Deus (ao mesmo tempo em que são escritas por homens). No Antigo Testamento, isso se vê com freqüência na frase introdutória “assim diz o Senhor”, que ocorre centenas de vezes.
Dessa forma, quando os profetas dizem “assim diz o Senhor”, eles estão reivindicando a condição de mensageiros do soberano Rei de Israel, ou seja, o próprio Deus, e declarando que suas palavras são palavras de Deus com autoridade absoluta.
No Novo Testamento, várias passagens indicam que todos os escritos do Antigo Testamento são vistos como palavras de Deus (2Tm 3.16; 2Pe 1.21; Mt 1.22; Jo 17.17,etc.)
As palavras das Escrituras são auto-corroborantes; elas não podem ser “comprovadas” como palavras de Deus apelando-se a alguma autoridade superior. Ela é o padrão definitivo da verdade.
A CLAREZA DAS ESCRITURAS
Por clareza das Escrituras entendemos que a Bíblia está escrita de modo tal que seus ensinamentos podem ser compreendidos por todos os que a lerem buscando o auxílio de Deus e dispondo-se a acatá-la.
A clareza da Bíblia e a responsabilidade dos crentes em geral de lê-la e compreendê-la são freqüentemente enfatizadas. Numa passagem bem conhecida, Moisés diz ao povo de Israel: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-se, e ao levantar-se” (Dt 6.6-7).
O caráter das Escrituras é tal que mesmo os “símplices” podem compreendê-la corretamente, tornando-se sábios: “O testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices” (Sl 19.7). O Salmo 119.130 diz: “A revelação das tuas palavras esclarece e dá entendimento aos símplices”.
Paulo não escreveu suas epístolas aos doutores das igrejas de sua época, mas a congregações inteiras: “À igreja de Deus que está em Corinto”, “às igrejas da Galácia”, “A todos os santos em Cristo Jesus, bidpos e diáconos que vivem em Filipos”, etc.
A incapacidade de compreender corretamente as Escrituras é mais moral e espiritual do que intelectual. “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2.14). O problema da dificuldade de se compreender as Escrituras não está na Bíblia, mas na falta de fé e dureza de coração do homem.
É possível que um ou outro texto apresente alguma dificuldade de compreensão, como diz o apóstolo Pedro em 2Pe 3.16: “...como igualmente o nosso irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles.
Mas a Bíblia explica-se a si mesma. Muitas vezes para se entender um texto é necessário examinar todo o contexto. O “estes assuntos” do qual Pedro fala no texto acima diz respeito à volta de Cristo. Note, também, quem são os que deturpam as Escrituras: ignorantes e instáveis, ou seja, homens sem fé e instáveis.
A NECESSIDADE DAS ESCRITURAS
A necessidade das Escrituras pode ser definida assim: “Dizer que as Escrituras são necessárias significa dizer que a Bíblia é necessária para conhecer o Evangelho, para conservar a vida espiritual e para conhecer a vontade de Deus, mas não que seja necessária para saber que Deus existe ou para saber algo sobre o caráter e sobre as leis morais de Deus”.
A Bíblia é necessária para conhecer o Evangelho – “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em que não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue (...) E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação pela palavra de Cristo” (Rm 10.13-17).
A Bíblia é necessária para sustentar a fé espiritual – Diz Jesus em Mt 4.4: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. Aqui Jesus indica que nossa vida espiritual é sustentada pela porção diária da Palavra de Deus, assim como nossa vida física é sustentada pela porção diária de alimentos. Pedro estimula os cristãos a quem escreve: “...desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para a salvação” (1Pe 2.2). O genuíno leite espiritual aqui, refere-se à Palavra de Deus. A Bíblia é, pois, necessária para sustento da vida espiritual e para crescimento na vida cristã.
A Bíblia é necessária para o conhecimento seguro da vontade de Deus – “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29.29). Deus não nos revelou todas as coisas, mas revelou-nos o bastante para que conheçamos a sua vontade. O Apóstolo Paulo nos exorta em Romanos 12.2 a experimentarmos qual seja “a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Para tanto, precisamos conhecer as Escrituras, porque se assim não fizermos estaremos errando. Jesus disse: “Errais não conhecendo as Escrituras” (Mt 22.29).
A Bíblia não é necessária para conhecer sobre a existência de Deus - As pessoas podem obter o conhecimento de que Deus existe e de alguns dos seus atributos, simplesmente pela observação de si mesmas e do mundo que as cerca (Sl 19.l; Rm 1.19-21).
A Bíblia não é necessária para conhecer algo sobre o caráter e sobre as leis morais de Deus - Paulo, em Romanos 1, mostra que até os descrentes que não têm nenhum registro escrito das leis de Deus, mesmo assim têm na sua consciência alguma compreensão das exigências morais de Deus (Rm 1.32; 2,14-15).
A SUFICIÊNCIA DA BÍBLIA – Podemos definir a suficiência das Escrituras assim: “Dizer que as Escrituras são suficientes significa dizer que a Bíblia contém todas as palavras divinas que Deus quis dar ao seu povo em cada estágio da história da redenção e que hoje contém todas as palavras de Deus que precisamos para a salvação, para que, de maneira perfeita, nele possamos confiar e a Ele obedecer”.
Encontramos explicação e apoio bíblicos significativos para essa doutrina na palavra de Paulo a Timóteo, em 2Tm 3.15, Tg 1.18, 1Pe 1.23.
Nas Escrituras podemos encontrar tudo o que Deus disse sobre temas específicos e também respostas às nossas perguntas. O volume de Escrituras dado foi suficiente em cada estágio da história da redenção.
A Bíblia é nossa única regra de fé e prática (Dt 4.2; 12.32; Pv 30.5-6). Assim:
1 -A suficiência das Escrituras deve nos incentivar a tentar descobrir aquilo que Deus quer que pensemos e façamos. Recorramos à Bíblia sempre que precisarmos de uma orientação para nossa vida.
2 – A suficiência das escrituras nos lembra que não devemos acrescentar nada à Bíblia nem equiparar algum estudo à Bíblia. Esse princípio é violado por quase todas as seitas. Os mórmons, por exemplo, afirmam crer na Bíblia, mas também reclamam autoridade para o Livro de Mórmon.
3 – A suficiência das Escrituras também nos diz que Deus não exige que creiamos em nada sobre Si mesmo ou sobre Sua obra redentora que não se encontra na Bíblia. É o caso, por exemplo, dos livros apócrifos.
4 – A suficiência das Escrituras nos mostra que nenhuma revelação moderna de Deus deve ser equiparada à Bíblia no tocante à autoridade. Em vários momentos da história e especialmente no movimento carismático, muitas pessoas já afirmaram que Deus transmitiu revelações por meio delas para benefício da Igreja. Seja como for que avaliemos essas revelações, precisamos tomar o cuidado de jamais permitir (na teoria ou na prática) a equiparação dessas revelações às Escrituras.
5 – Com respeito à vida cristã, a suficiência das Escritura nos lembra que não existe pecado que não seja proibido pelas Escrituras, quer explícita ou implicitamente. Não devemos acrescentar proibições àquelas já afirmadas nas Escrituras, ou relativizar as existentes (1Co 4.6).
6 – A suficiência das Escrituras também nos diz que Deus nada exige de nós que não esteja determinado explícita ou implicitamente nas Escrituras. Isso significa que não devemos buscar orientação pelas orações que peçam alterações das circunstâncias ou sentimentos, ou ainda orientação direta do Espírito Santo fora das Escrituras. Se alguém alega ter recebido uma mensagem de Deus que nos diga o que devemos fazer, jamais precisamos supor que é pecado desobedecer a essa mensagem, a menos que possa ser confirmada pela aplicação da própria Bíblia à nossa situação.
7 – A suficiência das Escrituras nos lembra que no nosso ensino doutrinário e ético devemos enfatizar e nos contentar com aquilo que Deus nos disse nas escrituras. Existem alguns temas sobre os quais Deus pouco ou nada falou na Bíblia; é preciso lembrar que as coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus (Dt 29.29) e que Deus nos revelou nas Escrituras exatamente o que julgou correto para nós.
O CÂNON BÍBLICO
- Formação
A Bíblia foi escrita num período de aproximadamente 1.600 anos, por cerca de 36 autores. A palavra “Bíblia” vem do grego biblia, que significa “livros” ou “rolos”. A palavra Escritura deriva do latim scriptura, que significa “escrito”.
Já a palavra “cânon” deriva fundamentalmente de uma palavra semita que significa “junco”, de onde vem o sentido figurado de “vara de medir” ou “régua”. Daí deriva o sentido geral de “norma” ou “padrão” e, por fim, “lista” ou “rol”. Aplicado à Bíblia, cânon refere-se à lista de escritos reconhecidos pela igreja cristã como única regra de fé e prática.
A determinação precisa da extensão do cânon das Escrituras é de extrema importância. Para que possamos confiar em Deus e obedecer a Ele de modo absoluto, precisamos de uma coleção de palavras sobre as quais temos certeza de serem as palavras do próprio Deus para nós.
Se houver quaisquer seções das Escrituras sobre as quais temos dúvidas se são ou não palavras de Deus, não vamos aceitar que tenham autoridade divina absoluta nem confiar nelas na mesma medida em que confiamos no próprio Deus.
O cânon bíblico teve início com os dez mandamentos, escritos pelo próprio Deus no que se chama “tábuas da lei” e que constituem um pacto entre Deus e Seu povo. As tábuas foram guardadas na arca da aliança (Dt 10.5). Esta coleção das palavras de Deus foi sendo aumentada ao longo da história de Israel.
OS LIVROS APÓCRIFOS
A Bíblia é composta de 66 livros, sendo dividida em Antigo Testamento, com 39 livros, e Novo testamento, com 27 livros. Tais livros foram divididos em capítulos e versículos, para facilitar a leitura. A Bíblia editada pela Igreja Católica Romana, todavia, apresenta 7 livros a mais que a utilizada pelos evangélicos. São eles: Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruc, I Macabeus e II Macabeus, além de acréscimos aos livros de Daniel e Ester.
A palavra “apócrifo” significa “sem autenticidade”, “sem credibilidade”, “sem comprovação”. Em termos bíblicos entende-se como algo “sem inspiração divina”, isto é, não são palavras de Deus. Os livros apócrifos foram introduzidos, por decreto, no cânon da Igreja Católica Romana, por ocasião do Concílio de Trento, em 1546, e não são aceitos pelos seguintes motivos:
a) Não se atribuem a eles o mesmo tipo de autoridade que têm os escritos do Antigo Testamento (contém até um pedido de desculpas do autor por não ter escrito a contento(2Macabeus15:38-39).
b) Os judeus não os reconheciam como livros inspirados por Deus.
c) Não foram citados por Jesus e pelos autores do Novo Testamento como Palavra de Deus, apesar de existirem cerca de 295 citações deste tipo em relação aos outros livros do Velho Testamento.
d) O principal tradutor de origem católica, Jerônimo (342 – 420 d.C), que traduziu a Vulgata Latina, que é a Bíblia oficial da Igreja Católica, embora tenha-os incluído no cânon, não os aceitava como livros canônicos, mas apenas como livros da igreja.
A coleção dos livros sagrados, que começou com o livro de Gêneses, foi sendo aumentada com o decorrer da história do povo de Deus e, no que concerne ao Velho Testamento, termina com o livro do profeta Malaquias (435 a.C). Desse modo, depois de aproximadamente 435 anos antes de Cristo não houve mais acréscimos ao cânon do Antigo Testamento. A história do povo judeu foi registrado em outros escritos, tais como os livros dos Macabeus, mas eles não foram considerados dignos de inclusão na coleção das Palavras de Deus, que vinham de anos anteriores.
Desde Malaquias até o nascimento de Cristo, Deus não levantou nenhum profeta dentre o Seu povo. É o chamado período de silêncio. Aparentemente, os judeus que viveram naquele período não conheciam ninguém que pudesse falar com a autoridade de Deus como os profetas do Antigo Testamento haviam feito. A lembrança de um profeta CREDENCIADO no meio do povo pertencia ao passado distante, pois o próprio autor do livro de I Macabeus podia falar de um grande sofrimento “qual não tinha havido desde o dia em que não mais aparecera um profeta no meio deles” (I Macabeus 9.27).
Flávio Josefo, historiador Judeu (nascido em 37 d.C), escreveu: “Desde Artaxexes até os nossos dias foi escrita uma historia completa, mas não foi julgada digna de crédito igual ao dos registros mais antigos, devido à falta de sucessão exata dos profetas”. Essa declaração do maior historiador judeu do primeiro século mostra que ele conhecia os escritos que agora fazem parte dos apócrifos, mas que ele (e muitos de seus contemporâneos) não os consideravam DIGNOS DE CREDITO igual ao dos conhecidos por nós como Escrituras do Antigo Testamento. Segundo o ponto de vista de Josefo, nenhuma “palavra de Deus” foi acrescentada às Escrituras após cerca de 435 anos antes de Cristo.
A mais antiga lista cristã de livros do Antigo Testamento que hoje existe é a de Melito, bispo de Sardes, escrita por volta do ano 170 d.C, e nela não consta nenhum livro dos apócrifos, e onde se diz textualmente que os livros dos Macabeus “estão fora dos livros canônicos”.
ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE AS VERSÕES DA BIBLIA EM PORTUGUÊS
Início das traduções em português – Tiveram início com o rei D. Diniz (1279 – 1325) em Portugal. Ele traduziu até o capítulo 20 do livro de Gênesis.
As traduções de João Ferreira de Almeida – Nascido nas proximidades de Lisboa, Portugal, no ano de 1628, concluiu a tradução do Novo Testamento em 1676, tendo sido publicado na Holanda em 1681. Deixou o Antigo Testamento traduzido até o livro de Ezequiel. Seu trabalho foi completado por Jacobus op den Akker, da Batávia, em 1748. João Ferreira de Almeida morreu em 1691. No ano de 1753 a Bíblia foi impressa, pela primeira vez, em língua portuguesa.
Revisões da tradução de João Ferreira de Almeida – Essas revisões foram efetuadas no século 20:
- Almeida revista e corrigida (última revisão em 1995);
-Almeida revista e atualizada (última revisão em 1993);
-Corrigida fiel (1994);
-Versão revisada (1967).
Novas traduções em língua portuguesa (a partir de 1970)
No contexto católico-romano (versões não literais e fundamentadas em pesquisas exegéticas e lingüísticas mais recentes):
-Bíblia de Jerusalém (erudita, notas técnicas);
-Bíblia Vozes (fundamentada exegeticamente);
-Bíblia Pastoral (afinada com a Teologia da Libertação);
-Tradução ecumênica;
-Bíblia da CNBB.
No contexto evangélico:
- Bíblia na linguagem de Hoje (1988);
-Nova tradução na linguagem de hoje (2000);
-Nova versão internacional (2001);
-Outras versões:
- Bíblia da Mulher;
- Bíblia de Promessas;
- Bíblia Apologética;
- Bíblia de Genebra;
- Bíblia Pentecostal;
- Bíblia Jovem;
- Bíblia Shedd, etc.